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sexta-feira, 28 de março de 2008

IVA - Imposto de Valor Acumulado para Alguns

Ao fim de quase uma década a ouvir os nossos políticos pedirem sacrifícios ao povo para controlo do défice orçamental, finalmente houve um Governo que conseguiu cumprir a rigorosa imposição dos nossos parceiros europeus: um défice abaixo dos 3%.

Analisando este facto até parece que é muito complicado atingir as metas europeias, mas basta seguir a receita que o PS aplicou, fecharem-se escolas, aumentarem-se as propinas do ensino superior, fecharem-se 93 dos 176 postos de urgências do país. Tudo isto para poder anunciar, a escassos meses das legislativas, que atingimos o objectivo, que todos os governos tentaram desde Maastricht, e assim permitir ao sócrates (com S é o grego ou o brasileiro) anunciar, cheio de peito, a descida de 1% do IVA, imposto que tinha sido aumentado por ele em 2%. Nunca é demais relembrar que tinha criticado o aumento de 17% para 19% levado a cabo pelo PP/PSD, antes de subir ao poder.

Para mim 1% a um ano das eleições vale 1/3 de 2% de aumento durante 3 anos. Ainda assim é uma boa medida, pena ter sido tomada tão tarde, e tendo o “background” que tem. Melhor seria acabar com o IVA e estimular a economia de consumo que o PS tanto defende e que, mais uma vez, é imposição europeia.

Concluindo, para quando um superavit da economia portuguesa? Deixo já algumas sugestões para o atingir:

-Privatização de todos os monumentos;
-Acabar com tudo quanto seja serviço público, privatizando os que têm potencial de lucro;
-Vender o mar aos espanhóis;
-Permitir que nas cerimónias oficiais o Belmiro faça publicidade na bandeira nacional e que o hino nacional tenha intervalos publicitários...

P.S.: Ficam por desenvolver os temas, a União Europeia e a escola pública, sendo que a saúde já foi tratada aqui neste espaço.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Trabalhar Até Morrer

Quem começar a descontar agora trabalha até aos 68. Os trabalhadores que se encontram actualmente a meio da sua carreira e que tencionam reformar-se em torno de 2030 vão ter de descontar mais um a dois anos para anular o efeito do factor de sustentabilidade. Este factor reduz o valor das reformas em função do aumento da esperança média de vida (EMV) aos 65 anos. Para compensar este corte, os trabalhadores têm duas alternativas: ou trabalham mais tempo ou fazem descontos adicionais para fundos de pensões (públicos ou privados). A primeira opção deverá ser a mais frequente. [...]
Finalmente, para os trabalhadores que entrem este ano no mercado de trabalho, a idade de reforma deverá rondar os 68 caso cheguem a 2048 com 35 a 39 anos de carreira. Porém, se tiverem uma carreira completa de 40 anos - o que implica nunca passar por situações de desemprego ou de emprego informal -, só terão de trabalhar até aos 67 anos.

Notícia retirada do DN Online (Ver notícia integral).

Porreiro, pá. Porreiro. Como a esperança média de vida aumenta graças ao nosso fantástico sistema de saúde, qual é o problema de se trabalhar até aos 68 anos de idade??? Mais valia que tivéssemos um sistema de saúde que obrigasse as crianças a nascer em ambulâncias ou em Espanha... Mais valia que tivéssemos mais utentes a levantarem-se ainda mais cedo para estarem à porta dos centros de saúde na fila... Mais valia que os utentes fossem assistidos numa ambulância no parque de estacionamento de um hospital ou centro de saúde, com a plateia de médicos e enfermeiros a assistir da janela... Mais valia que tivéssemos de percorrer imensos kms para chegarmos a um serviço de urgência... Assim não teríamos certamente de passar a vida a trabalhar, morríamos antes...

Saudações

sábado, 5 de janeiro de 2008

Assim, Nós longe de cá

Muito se fala do que não se faz e muito se critica o que se faz, mas normalmente são apenas umas bocas, sem qualquer tipo de fundamento. Vou então tentar contrariar este facto e ainda fugir à “clubite”.

Recentemente foi realizado o 5.º Festival da Canção Cidade de Pinhel, com o objectivo de dinamizar e estimular os músicos do concelho. Sendo eu amigo de uma, aliás, da única banda presente, não pude deixar de reparar numa série de pormenores, que começam logo na inscrição para o festival. Depois de seleccionadas as músicas, a organização do festival espera que todos os participantes cedam os direitos de autor do(s) tema(s) a ser interpretados ao vivo, o que segundo a Sociedade Portuguesa de Autores é altamente ilegal.

Mas os problemas continuam, assim que entrei no novo pavilhão municipal deparo-me com o palco mais chegado ao lado direito, o que como devem calcular, prejudica e muito a acústica, tanto para participantes, como para espectadores.

O Festival da Canção de Pinhel decorre só com participantes de outras distantes localidades, à excepção dos Sex Ianuae, todos com canções que podiam bem ser do Emanuel, ou da Rute qualquer coisa, mais uma vez excepcionando os meus Sex Ianuae, que tinham música própria, composta por eles, tendo sido uma delas mesmo composta para o festival, e dedicada a Pinhel ("Nós por cá").

Eis que chega o momento da verdade e o júri entrega aos meus amigos o prémio de melhor música ("Nós por cá"), melhor canção do concelho ("Nós por cá") e segundo lugar ("Nós por cá"), não tendo sido atribuído nenhum prémio à “Boatos Sapatos”, sem ser o de participação, mas gostos não se discutem, e seguramente o júri terá achado mais piada à Vânia, que tinha na verdade uma bela voz, mas um péssimo poema (premiado no entanto com o prémio de melhor letra/poema pelo júri), e uma música inqualificável.

Ainda ganharam muitos prémios, e segundo as minhas contas o prémio monetário é de 400€ (segundo lugar), 50€ por cada música (de participação) e ainda 250€ (pela melhor (única) música do concelho), o que perfaz a bela maquia de 750€, o que seria um grande estímulo à jovem banda de Pinhel. Mas destes prémios todos, apenas têm a receber 260€ do 2.º lugar, devido à retenção na fonte de 35% do prémio, o que não vinha no regulamento (que já não está na página da câmara). Além disso, não sei bem porquê não receberam o prémio de participação, e não sendo os prémios acumuláveis (segundo o regulamento), não receberam os 250€ de melhor música do concelho.

Fica ainda a boca pelo facto de a música vencedora ter mais de 4minutos, violando assim o regulamento. Portanto respeitam o regulamento, mas só para o que lhes interessa (€€€€€€€€€€€€€€€).

Belo estímulo às bandas e músicos do concelho…

Façam rolar cabeças...

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Tanto lês, que treslês

Caros Degoladores

O último jogo da Inglaterra na fase de qualificação para o Euro 2008 ficou marcado pelo insucesso dos locais e consequente eliminação da competição. O que provavelmente vocês não sabem é o motivo que levou a congénere croata a efectuar uma exibição tão descontraída e eficaz.
Pois bem, antes do início da partida, foram escutados os hinos de ambos os países (nada de anormal até aqui). Mas os ingleses, inventores do desporto em questão, queriam um instante sumptuoso e decidem convidar um dos seus mais famosos tenores Tony Henry para interpretar os respectivos hinos. (Parvoíce, pois optassem pelos instrumentais que podia ter corrido melhor). O Hino inglês saiu certinho, bem afinado, métrica e letra acertada. Já o croata, foi outra história pois o idioma croata tem uma dicção particularmente complicada embora se escreva com o alfabeto latino, portanto, convém ser cauteloso.
Tony Henry não foi na cautela e cometeu um erro de palmatória na última frase do hino(versão curta) pois em vez de cantar «Mila Kuda si planina» que significa «Tu sabes, minha querida, como nós amamos as nossas montanhas», cantou «Mila Kura si planina» que graciosamente traduzido quer dizer«Minha querida, o meu pénis é uma montanha». Pois é, com uma letrinha apenas se transforma a semântica da coisa e os croatas acharam tanta piada que até pediram a presença do tenor inglês em todos os jogos da selecção no Euro, para que seja sucesso garantido. É caso para se dizer cada terra com seu uso, cada porca seu parafuso e a porca dos bifes ficou bem moída... eh eh
Podem assistir ao vídeo aqui

Réu:
  • Tony Henry
Depositem o veredicto do rapaz nas vossa cacholas.

Saudações Guilhotinadoras

terça-feira, 4 de dezembro de 2007

Mas o maior Burro nunca se aperceberá que é Burro, mesmo sendo rei...

Caros Degoladores

Como a Guilhotina não prospera em postais, decidi apresentar as minha respostas à anterior chatice em forma de mensagem. Podem obviamente continuar a discussão aqui.
Estive também à espera do desfecho do tão badalado referendo do passado Domingo para partilhar convosco a minha opinião, e é precisamente pelo referendo que vou começar.
O tal referendo de 2 de Dezembro propunha uma alteração da Constituição, na qual Hugo Chávez poderia recandidatar-se à Presidência até morrer [ eu votaria NÃO, mas se pensarmos bem, no nosso país, dois mandatos dão direito a reforma e como se não bastasse, passado quatro anos há caras (bochechas, também serve) de pau que se tornam a candidatar, já com a reforma anterior a cair no bolso todos os meses... se calhar votaria SIM ]. Não me parece com isto que as eleições anteriores, tivessem sido falseadas, pois se tal acontecesse, certamente o sim neste referendo sairia vencedor e o Chávez teria que ser sempre candidato (poderia sê-lo até morrer) por um partido que ganhasse futuras eleições, para assim conseguir ser Presidente vitalício. Agora todos nós pensaremos duas vezes antes de falar dele e julgo que o próprio Chávez também pode aprender com isto. Saiu vencedora a democracia. Louvável!
Quanto à situação da cimeira, tudo começou com os supostos insultos ao "lacaio" Aznar. Sinceramente, julgo que todos conhecem o "lacaio" Aznar e a sua política de direita escrupulosamente anti-democrática. Lembrem-se que o seu envolvimento na tentativa de golpe de estado na Venezuela em 2002 foi reconhecido pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha em televisão. Lembrem-se da mentira que tentou incutir(envolvimento da ETA) aos espanhóis sobre o 11 de Março em véspera de eleições. Chávez tem certamente legitimidade para detestar o "lacaio" Aznar, mas podia-nos privar desses pensamentos, pois já sabemos que os tem mas também sabemos que como populista, Chávez gosta de ser um excelente entertainer televisivo...
Ora, Zapatero fez aquilo que qualquer homem sensato deveria fazer e fê-lo muito bem ( saúdo a seu discurso). Quanto a Chávez, não sei o que disse, mas não deveria ter interrompido e esperar pela sua vez, pois certamente a Presidente do Chile lhe iria dar oportunidade para se justificar. Mal esteve a senhora Michelle Bachelet (suposta moderadora) que só interveio quando o rei de Espanha proferiu a frase inesquecível...
Ora o monarca, era de todos os presentes, o que menos tinha moral para julgar ou acusar o que quer que fosse e foi tão mal criado quanto o Chávez. Pior, o Presidente da Nicarágua resolveu dizer a Zapatero: ( o que o Chávez gostava certamente de dizer, em tempo devido claro )“Se nós temos que vos respeitar, vocês têm que se dar ao respeito”, então o monarca levanta-se e abandona a sala, Zapatero ficou, engoliu em seco e revelou falta de estômago para responder(sensato mais uma vez). ..
Ora, eu não gosto do Chávez, pois não aprecio o populismo (só no ATM claro), mas também não posso gostar de um monarca que demonstra um arrogante paternalismo e se considera, como rei de Espanha, rei de toda a América Latina( cujo espanhol é a língua oficial) e se julga no direito de mandar calar, censurar ou dar lições de moral aos chefes (democraticamente eleitos) de estados, sobre os quais se acha chefe colonial... ( redundâncias sobre Burros).

No que diz respeito à exploração dos recursos por parte de empresas estrangeiras, tal poderia eventualmente trazer riqueza, mas teria que ser evidentemente controlada. Certo é que tanto a Venezuela, como a Bolívia e os outros países, não têm todas as condições necessárias para refinar, dinamizar e produzir alguns dos seus recursos e certamente uma ajudinha de empresas estrangeiras poderá dar jeito. Aliás Chávez estará disposto a reduzir a dependência que a OPEP tem do mercado americano, exportando petróleo para a China e também para Portugal!, por exemplo ( toma Burro que já almoçaste).
Na questão da nacionalização dos recursos naturais considero que a sua conveniente racionalização será o grande dinamizador da prosperidade e independência económica da América Latina, para que finalmente, alguns Burros percebam que ali já não há colónias...

Saudações Guilhotinadoras

P. S. - Tendo em conta a eventual chegada da Galp à Venezuela para a exploração e refinação do petróleo, falarei sobre esses sanguessugas monetários num postal seguinte.

terça-feira, 20 de novembro de 2007

Quando um burro fala, o outro baixa as orelhas!



Que ilações se podem retirar disto?

Seria Hugo Chávez mal educado?

Terá Juan Carlos um paternalismo colonial?

E Zapatero foi sensato no seu apelo?

Qual o papel da anfitriã, Presidente do Chile no encerramento da cimeira? Não era suposto ser moderadora?

Já agora, sabiam que o homem que mais aparece nas moedas de euro que circulam em Portugal abandonou a sala quando o Presidente da Nicarágua criticou a política externa do governo espanhol?

Será o nacionalismo dos recursos naturais um ponto de partida para a independência económica da América Latina?

Será que exploração dos recursos naturais de um país, por parte de empresas estrangeiras poderá trazer riqueza e respectivo crescimento económico a um país?

Aqui ficam, no regresso ao activo da Guilhotina algumas questões que considero pertinentes para podermos debater. Fico à espera das vossa cacholas. Venha a discussão.

Saudações

segunda-feira, 9 de julho de 2007

O Paradoxo do LIVE EARTH

Sábado, dia 7 de Julho de 2007, decorreu o Live Earth, um mega-evento a nível internacional, organizado por Al Gore, cujo objectivo primordial foi o de consciencializar a população para o aquecimento global.

Como fazê-lo??? Reunir uma elevada série de músicos conhecidos a nível internacional e pô-los a fazer concertos em palcos montados em diferentes locais, com transmissão televisiva para todo o mundo.

Muitas das estrelas que pisaram os palcos fizeram-se transportar em jactos privados, um dos mais poluentes meios de transporte. Uma boa forma de fazer jus à causa que foram representar…

Segundo foi documentado pelo jornal britânico Guardian, o Live Earth produziu três mil vezes mais dióxido de carbono que a quota média de um cidadão britânico… poucochinho, para um evento que defende a causa ambiental, acrescentando o facto de o dióxido de carbono contribuir em cerca de 60% para o aquecimento global…

Madonna, uma das estrelas convidadas, que até compôs uma música especial para este dia, é, anualmente, responsável por uma quota de emissão de dióxido de carbono cem vezes superior à mesma média de um cidadão do Reino Unido. O News of the World descreve que as nove casas, frota de carros e jacto privado de Madonna são "uma catástrofe ecológica". O Sunday Telegraph refere as ligações da estrela pop a empresas com currículo negro no que toca a poluição.

O que contribuiu o bendito Live Earth para evitar o contínuo e perigoso aumento do aquecimento global e suas consequências e proteger assim o meio ambiente?
Para já, atacou foi mais um bocadinho, pouco mais, para o que o ambiente tem vindo já a sofrer. Parece que se tivessem ficado mas era quietinhos, não contribuíam com mais uma série de gases que já são libertados para a atmosfera diariamente…

Enfim!!! Uma causa justa para cínicos e hipócritas…

Saudações

Caros Degoladores

Como têm reparado, a Guilhotina esmoreceu neste último mês, força de elevados compromissos profissionais de quem a orienta. Apesar do formato original que o blog apresenta, o figurino actual dos posts tem limitado as ideias dos nosso contribuidores. Assim proponho, a partir de agora, um rejuvenescimento da Guilhotina, abandonando a obrigatória exposição de réus.
Peço a todos os meus cúmplices uma maior frequência de ideias e reflexões, não só de questões que chateiam, mas também de questões louváveis, para que possamos guilhotinar e absolver.

Saudações

sexta-feira, 1 de junho de 2007

30 de Maio, dia de Greve Geral

O sentido da greve tem sido pervertido, não pelos sindicatos, mas sim pelo governo e serviços mínimos, pelos trabalhadores com as cabeças lavadas por toda a propaganda anti-greve, pelos patrões que ameaçam trabalhadores e o seu respectivo direito à greve.

Todas as pessoas bem colocadas no sistema e na sociedade acham a greve desnecessária, a isto chama-se consciência de classe, ou seja não vêem motivos para a paralisação, visto que isso só as vai prejudicar financeiramente.

Os fura greves são de dois tipos: o primeiro, que concorda com os motivos da greve, mas não adere porque precisa do salário desse dia de trabalho, porque tem uma certa responsabilidade, ou por medo de represálias. Mas o segundo tipo é que é o problema. São aqueles que são explorados como todos os outros, a quem são propostos sucessivos contratos precários, sem nenhuma progressão na carreira, e depois criticam toda a unidade dos trabalhadores. Não estão conscientes do que representa o direito à greve (art. 57 da CRP), não sabem nem querem saber do que é a flexisegurança, que nada mais é do que flexibilidade de despedimentos, e segurança para os patrões que despedem.

Depois existe ainda um outro grande inimigo da greve que é o governo. Apressam-se a apresentar os resultados sectoriais negativos para tentarem mostrar que houve baixa adesão à greve, e tentam ainda provar que a greve é boa para o governo, com matemática da tanga. Diziam ontem no noticiário ao almoço que a função pública engole 50 mil euros por dia só em salários. Pela lógica da treta, se faltarem metade dos trabalhadores poupam-se 25 mil euros, mas esquecem-se de acrescentar que a maioria dos grevistas são os trabalhadores pior remunerados, e que a grande maioria dos bem assalariados (cargos de gestão e chefia) furam a greve, precisamente por consciência de classe.

Este, tal como muitos governos, tenta justificar a exigência de serviços mínimos com a saúde dos seus concidadãos, mas se estão tão preocupados com a saúde dos portugueses, porque fecham maternidades, centros de saúde, e Serviços de Atendimento Permanente (SAP)?

Condeno a empalação o actual código do trabalho e seus construtores, e à guilhotina a flexisegurança e os seus apoiantes.

Viva a unidade dos trabalhadores e o direito à greve!

Saudações