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segunda-feira, 21 de junho de 2010

«A nossa única defesa contra a morte é o amor»

Não sei o que escreva, porque tudo o que disser parecer-me-á pouco... Mas, em desabafo, tenho de dizer que admiro muito a defesa que Saramago adoptou, em vida, contra a morte... Admiro todo o amor que depositou em cada livro, frase, palavra que escreveu... Admiro todo o amor que entregou à língua portuguesa... Admiro todo o amor que entregou em cada discussão que travou... Admiro todo o amor que dedicou aos seus ideais... Admiro muito o seu amor por Portugal... Admiro o amor que me despertou pelos seus textos... Admiro muito José Saramago...


Apesar de ter partido, serve-me de consolo saber que vai continuar a viver... até muito depois de eu ter morrido... sem dúvida alguma!

segunda-feira, 7 de junho de 2010

A modinha dos mentecaptos II

... Insistindo ainda nos 1764 mentecaptos... Eu gostava de saber o que eles já fizeram por Portugal, para julgarem ter a legitimidade de desejarem que seja tirada a nacionalidade a um português, cuja expressão escrita na sua língua materna foi premiada a nível internacional. O prémio Nobel vale o que vale, mas o mais importante foi a elevação da língua portuguesa.

Mas pronto! Auxiliada pelas palavras de Saramago, eles «quere(m) pelo desejo o que sabe(m) não poder querer pela vontade». (p. 79)

«(...) já os latinos garantiam, na língua deles, que mais valem e perduram os actos que as palavras, dêmo-los pois a eles por cometidos e a elas por supérfluas, quando muito empregando-as no seu mais remoto sentido, como se ainda agora tivéssemos principiado a primeira rede do casulo, esgarça, ténue, quebradiça, usemos palavras que não prometam, nem peçam, nem sequer sugiram, que desprendidas apenas insinuem, deixando protegida a retaguarda para recuo das nossas últimas cobardias, tal como estes pedaços de frases, gerais, sem compromisso, gozemos o momento, solenes na alegria levemente (...)». (p. 248)

O que mais lhes interessa «são precisamente estas notícias do quotidiano dramático e pitoresco, o conto do vigário, as desordens e agressões, as horas sombrias, os actos de desespero, o crime passional, a sombra dos ciprestes, os desastres mortais, o feto abandonado, o choque de automóveis, o vitelo de duas cabeças, a cadela que dá de mamar aos gatos (...)». (p. 340)

SARAMAGO, José - O ano da morte de Ricardo Reis. Lisboa: Caminho, 2003.

Saudações!

A modinha dos mentecaptos

Então não é que há uma página no Facebook chamada, passo a citar, «Saramago vai à merda! Tirar a nacionalidade portuguesa a José Saramago»? E conta, aliás, com 1764 membros... E o que é que estes defendem? «Este comunista atrasado mental não tem o mínimo de respeito por PORTUGAL e pelos seus cidadãos.
Além disso, nem português sabe escrever, já que não sabe as elementares regras de pontuação, e só escreve livros aborrecidissimos! ELE É UMA NULIDADE!
O desrespeito pela Biblia bem como pelas convicções dos crentes, foi a gota de água.
Por isso, está na altura de lhe retirar a nacionalidade portuguesa! Nem é preciso expulsá-lo do país porque ele já vive em Espanha.
SARAMAGO, VAI À MERDA! e leva a Pilar contigo.»

Eu estou nauseada com tanta diarreia mental. As pessoas já nem têm vergonha de reconhecer que são umas ignorantes. Parece que está mesmo na moda ser mentecapto... Quanta verborreia junta, vejam só!

Enfim! Que admirável mundo novo!

Saudações!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Eis aqui o agiota - Fausto


Eis aqui o agiota
Eis ali a agiotagem

De novo mergulho na luz do astro da música
A minha cabeça
De novo à procura daquela
Melodia que teima
Em nascer às avessas
Se ribomba no contrapasso e se já cruza o ciberespaço
Então
Cuida de ti usurário
Na zona escura do erário
E da folia financeira
Do teu corpo fundo
E mais anónimo
À volta do mundo
Atravessando fronteiras

Esvoaçam

À tua volta esvoaçam
Taxas de juros e câmbios
De cambistas e banqueiros
Títulos e dívidas
Contraseguros
Visões garridas
Malabaristas
E oníricas
Do dinheiro

A minha guitarra não toca para ti
A minha guitarra rosna

Obeso e rebarbativo alardeando
A engorda
O teu figurino
Obesa a corruptela que mais
Disfarça e transforma
Selvagens capitalismos
Em brandos neoliberalismos
O mais doce dos eufemismos
E então
Tu provas na perfeição
Que geres com o teu cifrão
A infelicidade dos outros
Reduzes um drama
O do maior desemprego
A centigramas
À percentagem de uns poucos

Encurralados

Os mais jovens encurralados
Em becos rasos de seringas
Contrafeitos mercadores
Em praças e ruas
Ruelas e avenidas
Envergonhadas
E mais anuladas
As mãos estendidas
De arrumadores

Morreu a proletária ditadura
A ditadura do mercado já nasceu

Se cada vez menos produzem
Mais para a maior minoria
Toda a riqueza
Se cada vez menos para a imensa maioria sobram
Sobras que te caem da mesa
Da guerrilha dos capitais
Em doces paraísos fiscais

Então
Cuida de ti argentário
O que retrata este sudário
É a maior parte do mundo
Que sobrevive na penumbra
De olhos postos em ti
Moribundo
Mas que te olha já defunto

E enches a boca

De direitos humanos
Enches a boca
De fala
Do pensamento
Mas o do trabalho nunca
E porque será
Que esse direito
No esquecimento fica
Se crucifica
Mais
Se abdica
Mas fica a pergunta

Keynes
Ao pé de ti
E arrumado a um canto
É a alegoria
Ou o retrato de um santo?

Saudações

quarta-feira, 19 de maio de 2010

Do adeus e da saudade

Ontem fui subitamente apresentada a duas quadras que captaram desde logo a minha atenção. Falam do adeus... da saudade... E é incrível como duas palavras aparentemente tão simples conseguem suportar uma carga semântica e simbólica tão grande... Estavam esquecidas num documento, esquecido no meio de tantos outros, sem um autor identificado. Como não quero ficar com elas só para mim... Aqui estão:

Não se creia nem se diga
que a saudade é inocente;
simulando ser amiga
não tem dó nenhum da gente.

Adeus - palavra mais triste
que os lábios podem dizer.
Se a triste saudade existe
um adeus a fez nascer!

Já agora se calharem a passar por aqui e souberem identificar o autor, partilhem-no na caixa de comentários. BEM HAJA!

Saudações!

terça-feira, 18 de maio de 2010

Pedinte de afecto

«Pedinte de afecto» é o nome dado a este cartoon, da autoria de Saeed, publicado no jornal iraniano Asre Mardom, a 17/02/2009. É um dos cartoons que fazem parte da edição do Expresso: Os autores World Press Cartoon. Sintra, 2010.

Afecto, de facto, é o que falta a muita gente. Não só recebê-lo, mas também dá-lo... Hoje em dia, andamos de tal forma ocupados que nem nos apercebemos que esse é, sem dúvida, um bem essencial...

Ai! Que agora me sabia tão bem um abraço!

Saudações!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

A síndrome de escrever "o síndrome"

Moeda europeia atingida *pelo síndrome da crise grega.

A palavra síndrome é um substantivo do género feminino. Mas sabe-se lá porquê instalou-se a prática de travestir a palavra, seja na oralidade seja na escrita... E o que mais para aí há aos pontapés são pessoas com a síndrome de escrever "o síndrome"...

Moeda europeia atingida pela síndrome da crise grega. Assim sim!

Saudações!

terça-feira, 11 de maio de 2010

Do laicismo


laicismo
s. m.
  1. Nome de uma seita do séc. XVI que pretendia para os leigos o direito de governar a Igreja.
  2. Doutrina que tende a dar às instituições um carácter não religioso.
Tudo bem que o laicismo, enquanto doutrina filosófica, não deva ser confundido com ateísmo do Estado. No entanto, convém lembrar que esta doutrina defende e promove a separação do Estado das igrejas e das comunidades religiosas, bem como a neutralidade... a passividade... do Estado em matéria religiosa.

Segundo o parágrafo 4 do artigo 41.º da Constituição da República Portuguesa, «As igrejas e outras comunidades religiosas estão separadas do Estado...».

Pois bem! Então como é que uma leiga, como eu, consegue compreender isto?!: «Metade do pessoal do Estado vai gozar as férias papais».

Saudações!

7 graus?

Batendo na mesma tecla...


7 graus Festival da Canção? Acho que não é isso que querem que se leia, pois não?

Este é apenas um exemplo. Os jornais (em papel, em audiovisual ou electrónicos) cometem o mesmo erro todos os dias... Se bem que hoje fiquei impressionada, pela positiva, quando vi o jornal A Bola: «O Benfica conquistou, este domingo, o 32.º título de campeão nacional do seu historial...» ;o)

Saudações!