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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Tudo às avessas!

Em Santiago de Compostela, foi baptizado um parque com o nome do cantor português Zeca Afonso...

Em Portugal, inauguram parques com o nome de António de Oliveira Salazar, exactamente no dia 25 de Abril. Não é que tenha algum problema, faz parte da história portuguesa! Mas, não tenho dúvidas em considerar que a data escolhida para a inauguração - dia 25 de Abril - é uma pura e dura provocação!

Em Pinhel, homenageiam santas precisamente num largo cujo nome eterniza a memória do artista plástico pinhelense José Dias Coelho. É certo que homenagearam a santa com uma estátua. Mas não! Não é uma estátua, nem poderia ser, da autoria do artista plástico pinhelense, assassinado pela PIDE em 1961, ao qual Zeca Afonso dedicou a música: "A morte saiu à rua".

A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome pra qualquer fim
Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue dum peito aberto sai

O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o pintor morreu

Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
A lei assassina a morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou

Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada há covas feitas no chão
E em todas florirão rosas duma nação






Saudações

2 comentários:

Hugo disse...

Dar seja que nome for a um espaço físico, é sempre saudosista, nunca é com repúdio. Mas por uma santa no largo josé dias coelho é o máximo. Ainda por cima a santa de ser tão grande e verde parece o HULK, ou melhor SHE HULK/LADY HULK.

Portugal dos pequeninos...

Félix disse...

Recordo o maravilhoso jardim e as imponentes árvores (talvez centenárias)que apenas perduram na minha memória. Agora temos uma santa com piscina. Coaduna-se o executivo com a igreja e torna-se um espaço público num sítio sagrado, isto num país cujo estado se julga ser laico. Não sou contra estas imortalizações da religião, mas, bolas, façam-nas nos sítios onde elas realmente são justificáveis. Repeito a fé de uns, mas também devia haver respeito pelo ateísmo de outros. Cada macaco no seu galho, cada elefante com seu urro.

Saudações