Caros Degoladores
Como a Guilhotina não prospera em postais, decidi apresentar as minha respostas à anterior chatice em forma de mensagem. Podem obviamente continuar a discussão aqui.
Estive também à espera do desfecho do tão badalado referendo do passado Domingo para partilhar convosco a minha opinião, e é precisamente pelo referendo que vou começar.

O tal referendo de 2 de Dezembro propunha uma alteração da Constituição, na qual Hugo Chávez poderia recandidatar-se à Presidência até morrer [ eu votaria NÃO, mas se pensarmos bem, no nosso país, dois mandatos dão direito a reforma e como se não bastasse, passado quatro anos há caras (bochechas, também serve) de pau que se tornam a candidatar, já com a reforma anterior a cair no bolso todos os meses... se calhar votaria SIM ]. Não me parece com isto que as eleições anteriores, tivessem sido falseadas, pois se tal acontecesse, certamente o sim neste referendo sairia vencedor e o Chávez teria que ser sempre candidato (poderia sê-lo até morrer) por um partido que ganhasse futuras eleições, para assim conseguir ser Presidente vitalício. Agora todos nós pensaremos duas vezes antes de falar dele e julgo que o próprio Chávez também pode aprender com isto. Saiu vencedora a democracia. Louvável!
Quanto à situação da cimeira, tudo começou com os supostos insultos ao "lacaio" Aznar. Sinceramente, julgo que todos conhecem o "lacaio" Aznar e a sua política de direita escrupulosamente anti-democrática. Lembrem-se que o seu envolvimento na tentativa de golpe de estado na Venezuela em 2002 foi reconhecido pelo Ministro dos Negócios Estrangeiros de Espanha em televisão. Lembrem-se da mentira que tentou incutir(envolvimento da ETA) aos espanhóis sobre o 11 de Março em véspera de eleições. Chávez tem certamente legitimidade para detestar o "lacaio" Aznar, mas podia-nos privar desses pensamentos, pois já sabemos que os tem mas também sabemos que como populista, Chávez gosta de ser um excelente entertainer televisivo...

Ora, Zapatero fez aquilo que qualquer homem sensato deveria fazer e fê-lo muito bem ( saúdo a seu discurso). Quanto a Chávez, não sei o que disse, mas não deveria ter interrompido e esperar pela sua vez, pois certamente a Presidente do Chile lhe iria dar oportunidade para se justificar. Mal esteve a senhora
Michelle Bachelet (suposta moderadora) que só interveio quando o rei de Espanha proferiu a frase inesquecível...
Ora o monarca, era de todos os presentes, o que menos tinha moral para julgar ou acusar o que quer que fosse e foi tão mal criado quanto o Chávez. Pior, o Presidente da Nicarágua resolveu dizer a Zapatero: ( o que o Chávez gostava certamente de dizer, em tempo devido claro )“Se nós temos que vos respeitar, vocês têm que se dar ao respeito”, então o monarca levanta-se e abandona a sala, Zapatero ficou, engoliu em seco e revelou falta de estômago para responder(sensato mais uma vez). ..
Ora, eu não gosto do Chávez, pois não aprecio o populismo (só no ATM claro), mas também não posso gostar de um monarca que demonstra um arrogante paternalismo e se considera, como rei de Espanha, rei de toda a América Latina( cujo espanhol é a língua oficial) e se julga no direito de mandar calar, censurar ou dar lições de moral aos chefes (democraticamente eleitos) de estados, sobre os quais se acha chefe colonial... ( redundâncias sobre
Burros).
No que diz respeito à exploração dos recursos por parte de empresas estrangeiras, tal poderia eventualmente trazer riqueza, mas teria que ser evidentemente controlada.

Certo é que tanto a Venezuela, como a Bolívia e os outros países, não têm todas as condições necessárias para refinar, dinamizar e produzir alguns dos seus recursos e certamente uma ajudinha de empresas estrangeiras poderá dar jeito. Aliás Chávez estará disposto a reduzir a dependência que a
OPEP tem do mercado americano, exportando petróleo para a China e também para Portugal!, por exemplo ( toma
Burro que já almoçaste).
Na questão da nacionalização dos recursos naturais considero que a sua conveniente racionalização será o grande dinamizador da prosperidade e independência económica da América Latina, para que finalmente, alguns
Burros percebam que ali já não há colónias...
Saudações Guilhotinadoras
P. S. - Tendo em conta a eventual chegada da Galp à Venezuela para a exploração e refinação do petróleo, falarei sobre esses sanguessugas monetários num postal seguinte.